domingo, 2 de abril de 2017

Obra: Galeria de Arte - Autores: Sérgio Pacheco & Caio Ariê - Técnicas: Pintura e grafitagem - Dimensões: 12 m x 5 m x 3 m - Ano: 2017 - Sabará, MG.

Nesta Site Specific, eu e o meu filho Caio Ariê, trouxemos à tona a inflamada discussão do homem x meio ambiente, numa retórica plástica recheada de verdades visíveis, palpáveis e ponderáveis, nossa GALERIA DE ARTE.
Há tempos observamos as intempéries do tempo, os fenômenos naturais com suas forças poderosas e seus espetáculos em figurinos de cataclismos, calmarias, tormentas, etc. Essas sempre foram as ferramentas de Deus compondo suas sinfonias, suas esculturas, suas telas, suas coreografias, seus edifícios e seus atores, bem antes o aparecimento do homem no planeta Terra.
GALERIA DE ARTE não é um produto da nossa imaginação e jamais um delírio hipotético tampouco conjecturas, pois, as evidências estão á nossa frente, que nem é preciso ter olhos para ver. O mundo é uma galeria de arte moderníssima a céu aberto, que a cada instante nos presenteia com uma obra genuinamente natural.
 


Quando vimos estes troncos de árvores, galhos, gravetos, bambus, raízes secas, folhas, tábuas, animais mortos, sacos de lixo, encalhados nas colunas de sustentação da ponte de concreto que dá acesso à praça de esportes, não os vimos como entulho ou coisa parecida, e sim, uma escultura abstrata minuciosamente confeccionada pelas enchentes no Rio Sabará e Rio das Velhas, justamente onde ambos se encontram. Estava bem debaixo dos nossos narizes um espetáculo plástico por
excelência.


Confesso que fomos redundantes ao pintarmos os troncos, etc, isto é, evidenciamos o óbvio, porém, foi a nossa intenção para que os transeuntes pudessem ver em cores, aquilo que somente eu e o Caio estávamos vendo. Então, estava explícito ali a tradução do nosso pensar artístico materializado GALERIA DE ARTE.


A partir daí somamos os nossos esforços e abraçamos esta causa nobre para mostrar o que a mãe natureza nos dá de graça ou nos empresta. Foram duas semanas de execução, após definirmos as cores e os troncos a serem pintados. Foram usadas a tinta látex e esmalte sintético em spray.




A ordem era somente pintar e não acrescentar coisa alguma, muito menos retirar quaisquer galhos de se seus lugares, pois, comprometeria todo nosso processo de intervenção.



Sabemos que a força das águas arrastam tudo que encontram pela frente, entretanto, tudo se torna leve e facilmente tragados pela correnteza. Assistimos as coisas boiando no leito dos rios, vimos a comunhão e a intimidade das matérias nadando, dançando, parecendo festejar num cruzeiro fluvial de águas barrentas e velozes. É a mais pura e divina sintonia jamais vista rio abaixo.


Portanto, todas essas coisas trazidas pelas enchentes é a tradução e a revelação de todo nosso mal trato à natureza, raio x da nossa indiferença, ignorância, ganância e estupidez. Sempre quando chove torrencialmente, os rios se incumbem em denunciar as depredações e as agressões ao meio ambiente, como quem suplica, como quem chora numa tortura, como quem agoniza e pede socorro numa distanásia.







Agradecemos o jornal FOLHA DE SABARÁ pela publicação do nosso projeto GALERIA DE ARTE - 12/04/2017 - Edição 939 - Página 14 - Ano 28 



segunda-feira, 27 de março de 2017

Obra: Era uma vez os desconectados - Autor: Sérgio Pacheco - Técnica: Acrílica sobre tela - Dimensões: 80 cm x 160 cm - Ano: 2017

Esta obra me fez lembrar "Tarde de domingo na Île de la Grande Jatte" do impressionista Georges Seurat, porém, sem aquele cientificismo obcecado pela luz e pelas cores en plein air. Num impecável pontilhismo, onde a alegria, o calor humano, a musicalidade, o diálogo e o lazer, são ausentes em todos os ângulos.
Já em "Era uma vez os desconectados"procurei enfatizar a nossa tropicalidade, nosso clima musical e dançante. Há presença da intimidade, da liberdade, da amizade, do lúdico e da poesia. Um lugar, onde as pessoas parecem estar num eterno festejar e num regozijo palpável.
Aqui, as pessoas são sugeridas com as linhas de contorno, as quais também insinuam sombras chapadas que compõem as cabeças, tronco e membros. As cores quentes e frias dão às figuras um equilíbrio policromático auxiliando na simetria e no movimento das mesmas que parecem entrar e sair da tela. Os exageros quanto ao tamanho das pernas e dos braços, são representações caricaturais, que mais incomodam os espectadores. Cenário concluído com um céu indefinido por uma tinta bastante diluída. Nele, as pessoas estão num frenético movimento de ir e vir. Observe que os personagens estão desconectados virtualmente, mas naturalmente conectados. Enfim, essa tela satiriza a modernidade e a sua consequente tecnologia, onde a comunicação ininterrupta nos tolhe e enclausura em meio as multidões. "Era uma vez os desconectados" tem um frescor saudosista, uma ingenuidade visível num ambiente sem paisagem que nos transcende o nascer do século XX.
A tela foi estirada e preparada por mim sobre bastidor confeccionado em sucupira, devidamente colado, encaixado e pregado. 
"Era uma vez os desconectados" foi pintado durante as apresentações das músicas instrumentais autorais de vários músicos oriundos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. 3º Real Instrumental promovido pelo Coletivo Fórceps e Prefeitura Municipal. Este evento aconteceu numa tarde de outono com cara de verão na histórica cidade Sabará, Minas Gerais. Este quadro pertence à Secretaria Municipal de Turismo de Sabará, MG.